Vivendo com a guerra
Uma entrevista com o Sr. A. Fortuna
Bibliographic Data
| ID | 7766796 |
|---|---|
| Authors | Ángela Campos (0000-0002-8327-2065, University of Sussex), Ângela Fernandes Campos (0000-0002-1294-3124, University of Sussex, corresponding author) |
| Year | 2009 |
| Volume | 22 |
| Issue | 43 |
| Pages | 45-64 |
| Publication date | 2009-06-01 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Estudos Históricos (Rio de Janeiro (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0103-2186 • E-ISSN: 2178-1494 |
| Publisher | FapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.1590/s0103-21862009000100003 |
| OpenAlex | W2143826002 |
| SCIELO_PID | S0103-21862009000100003 |
| Language | EN |
| Citations received | 1 |
| References cited | 4 |
Nos últimos anos, a área da teoria da memória de guerra tem-se desenvolvido enormemente, e a história oral tem sido uma das suas ferramentas mais poderosas para aceder a memórias pessoais e colectivas. Esta metodologia tem-se revelado fundamental na recuperação e/ou recolha de experiências de guerra, violência e trauma. Para alguns indivíduos, a guerra encontra-se sempre presente, é uma memória constante, indelével, visível nos seus corpos: quando um ex-combatente se encontra deficientado para toda a vida, tem de viver permanentemente com a guerra, e a sua experiência passada acaba necessariamente por determinar o seu percurso de vida futuro. Este artigo baseia-se no testemunho do Sr. A. Fortuna, um exemplo vivido desta realidade, um dos cerca de 30.000 ex-combatentes (Ribeiro, 1999) da Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974) portadores de deficiência, entrevistado para um projecto de investigação de doutoramento sobre as memórias de veteranos deste conflito. Em 1971, o Sr. A. Fortuna, actualmente com 59 anos de idade, perdeu a visão e ambos os braços na Guiné-Bissau, algo que significou posteriormente uma vida inteiramente moldada pela guerra e pela sua deficiência. A memória relativa a este conflito - não obstante o facto de tratar-se de um evento incontornável da história portuguesa do século XX - continua, em grande medida, inexplorada. Alguns autores salientam que "a vergonha foi tal que, logo em 1974, [...] a Guerra Colonial foi cautelosamente varrida da memória colectiva" (Ribeiro, 1999), e os seus ex-combatentes encontram-se cobertos por um "sufocante manto de silêncio e de abandono" (Gomes, 2004), especialmente os deficientes de guerra, lembranças incómodas de uma guerra que o país parece não ter vontade de recordar. Tomando como ponto de partida a entrevista com o Sr. A. Fortuna, este artigo reflecte acerca de alguns dos desafios que um historiador oral tem de enfrentar quando entrevista veteranos de guerra deficientados. Pretende apresentar um exemplo de como a história oral pode ajudar a esclarecer um tópico menos visível da história portuguesa contemporânea
Art · Humanities · Cultural Identity and Heritage · History, Culture, and Society · Memory, Trauma, and Commemoration · Philosophy
| Unique citing works | 1 |
|---|---|
| Citations per year | 0,07 |
| Citation span | 2011 - 2011 (1) |
| Citation velocity | historical |
| Highly cited | No |
| Citation types | Neutral: 1 |