Tradução E Escrita Testemunhal Em Mémoires De Prison
Bibliographic Data
| ID | 16919083 |
|---|---|
| Authors | Amanda Bezerra De Araújo (0000-0003-0645-9560, Universidade Estadual de Santa Cruz), Edgardo Pires Ferreira (0000-0001-5513-9366, Universidade Estadual de Santa Cruz), Zelina Márcia Pereira Beato Szachnowski (0000-0002-1546-230X, Universidade Estadual de Santa Cruz) |
| Year | 2020 |
| Volume | 59 |
| Issue | 2 |
| Pages | 1481-1497 |
| Publication date | 2020-08-01 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Trabalhos em Linguística Aplicada (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0103-1813 • E-ISSN: 2175-764X |
| Publisher | FapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.1590/010318137483211520200703 |
| OpenAlex | W3049046516 |
| SciELO | S0103-18132020000201481 |
| Language | PT |
| References cited | 2 |
Propomos refletir sobre o processo tradutório do testemunho de Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere (1954), ressaltando as marcas do contato com essa escrita “penosa” que a tradução de Antoine Seel e Jorge Coli, Mémoires de Prison (1988), põe em relevo O testemunho original relata a prisão arbitrária sofrida pelo autor durante a ditadura Vargas e a experiência traumática do cárcere. A narração dessas memórias sinaliza para o seu conturbado processo de escrita de situações limites, encenando a aporia que, segundo Jacques Derrida (2000b), comanda o processo tradutório: a necessidade dominante de traduzir e, ao mesmo tempo, as limitações da tarefa. Essa aporia atravessa as leituras do filósofo acerca do gesto testemunhal. Como afirma, ao apresentar-se como único sujeito a presenciar uma verdade, a testemunha recusa a traduzibilidade e a possibilidade de ser substituída (DERRIDA, 2000a), numa performance do que lemos nos últimos versos de Ashenglorie, por Paul Celan: ninguém testemunha pela testemunha. Contudo, Derrida (2000a) argumenta que o testemunho só tem valor quando é traduzível e, assim, comunicável. Considerando que a necessidade tradutória coexiste com a impossibilidade de sofrer e sobreviver no lugar da testemunha, enxergamos o primeiro obstáculo para os tradutores. Como repetir o testemunho de Graciliano, traduzindo suas feridas, diante da impossibilidade de testemunhar em seu lugar? Numa reflexão sobre tradução e testemunho, Marc Crépon (2006) sugere que, diante do desafio tradutório impossível, deve-se testemunhar o encontro com a escrita original e fazer da tradução o documento desse encontro. Ou seja, em vez de testemunhar pela testemunha, deve-se testemunhar, na tradução, as impressões do contato com o corpo textual ferido do original. Argumentamos que a escrita tradutória das Memórias se revela um processo de recriação em que seus tradutores foram tocados pelo peso da escrita do cárcere, forjando na tradução o testemunho das impressões diante do original
Humanities · Cultural, Media, and Literary Studies · Literature, Culture, and Criticism · Memory, Trauma, and Testimony · Philosophy
| Highly cited | No |
|---|