Escravos sem senhores não existem
Bibliographic Data
| ID | 3922828 |
|---|---|
| Authors | Marcelo Santos Matheus (0000-0002-9313-4678, Universidade do Vale do Rio dos Sinos), Manolo Florentino (Universidade Federal do Rio de Janeiro, corresponding author) |
| Year | 2013 |
| Volume | 14 |
| Issue | 26 |
| Pages | 184-187 |
| Publication date | 2013-06-01 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Topoi (Rio de Janeiro (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1518-3319 • E-ISSN: 2237-101X |
| Publisher | FapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.1590/2237-101x014026014 |
| OpenAlex | W2076404681 |
| SCIELO_PID | S2237-101X2013000100184 |
| Language | PT |
A exagerada enfase no protagonismo dos cativos pode levar o historiador a elidir a obviedade contida na afirmacao de que, tal como nao ha senhor sem escravo, tampouco ha escravo sem senhor. A radicalizacao desse ponto de vista talvez tenha alcancado o auge na decada de 1970, quando se chegou a postular que nas plantations do sul dos Estados Unidos conviviam duas culturas paralelas e estanques — a escrava e a senhorial. Entretanto, em historia, como na dura escola da vida, ninguem se encontra imune a recaidas, e a nefasta essencializacao da categoria “negro” pode representar, hoje, o caminho mais curto para recidivas. Em The hierarchies of slavery o historiador norte-americano Ian Read busca recolocar o problema em seu justo lugar. Analisa os cativos no municipio de Santos entre 1822 e 1888, sustentando sem hesitacao ter sido a posicao social do senhor, definida pelo status e condicoes economicas (alem das demograficas), o fator determinante a reger a diferenciacao entre os proprios escravos. Nao se trata de desprove-los de iniciativas desesperadas ou minuciosamente pensadas, capazes de moldar muitos destinos para melhor, mas sim de buscar o ponto de partida metodologico para melhor entende-las. Provido de solido embasamento weberiano, o autor cre que compreender o fenomeno da mobilidade social implica, antes, a identificacao dos elementos em funcao dos quais se estratifica determinada sociedade como um todo. So a partir de semelhante procedimento seria possivel compreender os mecanismos de reproducao da diferenciacao que apartava os cativos entre si. Foge, pois, do engessamento caracteristico ao uso de categorias demasiado abrangentes, as quais, por isso, pouco contribuiriam para a analise. Eis o motivo pelo qual descarta a nocao de classe, por exemplo, pouco util sobretudo para estabelecer a distincao, na base da pirâmide, entre os incontaveis milhares de miseraveis livres e libertos, por um lado, e os escravos, pelo outro. Ponto para Read, sobretudo por debrucar-se sobre um tipo de sociedade que se reproduzia no tempo por meio da propria diferenciacao social entre os seus pares livres, como ha muito ensinou Moses Finley. Ao circunscrever a analise a uma localidade pequena como a cidade do litoral paulista ao longo do periodo imperial, o autor pode apreender as mudancas ocorridas no escravismo Oitocentista em espaco semelhante a maioria das regioes brasileiras de escravidao periferica, onde a escravaria se concentrava em areas semiurbanas — unidades agrourbanas, para utilizar uma nocao cara aos escritos de Richard Morse sobre a cidade colonial hispano-americana. Tal escolha permitiu a Ian
Art · Rural Development and Agriculture · Urban Development and Societal Issues
| Citation velocity | historical |
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| Highly cited | No |